leonina medicina

eu não sei se tenho leão em qualquer lugar do mapa astral, mas a partir de hoje sou toda leonina.

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paixão e passion são coisas bem diferentes

Quis pensar numa palavra que descrevesse o que sinto sobre as empreitadas profissionais atuais. A palavra que pensei foi passion, talvez porque meu conteúdo motivacional seja basicamente todo em inglês.

Então decidi usar a palavra em português para tirar o ar burguês bem disposto que manja de ingreis (sic). Paixão. No momento em que escrevi a palavra, me senti incomodada por ela.

Em português brasileiro as palavras tem conotações bem diferentes das suas traduções em línguas não latinas. As palavras têm um poder secreto de trazer em si embutidas verdadeiras culturas e tabus.

Veja com seus próprios olhos, quando busquei as duas palavras no dicionário.

No dicionário de inglês menciona um grande sentimento, um grande entusiasmo. Enquanto no de português há uma ênfase no sentido violento da coisa. Transformando em um sentimento negativo, exagerado e inadequado. Quase um comportamento vicioso.

Posto, logo existo

Sei lá o que me deu, não sei se foi porque a nova atualização da Apple mostra as horas que você passa no celular e em qual aplicativos, eu sempre soube que eu era viciada em internet desde o ICQ. O que eu sei é que me incomodaram aqueles números sobre as redes sociais, dia após dia. E não adiantou bloquear, que eu burlava.

Comecei deletando o Facebook porque depois das eleições não fazia mais sentido eu fazer parte daquilo. Vi um argumento sobre um livro em um programa de tv que falava de um set de motivos pra você fechar a sua rede social, um dos motivos era a política. O modo de operação da propaganda eleitoral desse ano foi uma coisa que me deixou preocupada com a minha ilusão da opinião politicamente correta e manipulação do engajamento nas redes. Me senti exposta. Nas comunidades com os tópicos mais diversos, os comentários eram só brigas de pseudo direitistas com intelectuais de facebook de esquerda. Me enchi daquilo. Fechei, tchau. Não senti falta nenhuma. Mate a vaca e outras possibilidades se abrirão, dizia o conto do mestre e seu discípulo.

Me percebi viciada em Instagram. Eu me sentia quase obrigada a postar todo dia, como viveriam sem a minha ilustre presença os meus 80 fãs restantes depois que me senti meio com a privacidade invadida de ter a minha cara impressa tantas vezes, meu filho, minha localização. Num surto mantive só quem é amigo mesmo, conhecido, nada de empresas, nada de gente que não faz parte da minha vida.

Lendo sobre crianças pequenas viciadas em telas, uma blogueira comentou sabiamente sobre o vício dos pais, na realidade, na docilidade dos filhos naqueles momentos colados na tela. Percebi meu filho entediado na frente da televisão enquanto eu devorava com devoção a vida alheia de celebridades, blogueiros, gente genial, gente que no fundo eu odeio e dando aquela prestigiada nas primas, amigas, irmã… Que onda! Onde foi que me deram a entender que eu era tão importante? Na verdade não sou e não me sinto. Nem especial, nem importante, nem relevante. Deletei, meus fãs sobreviverão.

No segundo dia notei meu filho infinitamente mais sorridente, mais conectado comigo, meus dedos insanos rolavam pra lá e pra cá a tela do celular procurando o quê? Quando me dava conta, largava o celular virado pra baixo. Matei a vaca e comecei a procurar mais vídeos educativos pra ver com o Dante, treinamos falar, rimos, nos divertimos e nos aproximamos. Não deixei de existir, na verdade é o contrário, passei a existir mais.

Não estou bem todo dia

Tenho me sentido tensa. A vida está pesada. Muitos afazeres, muita conta pra pagar, muitas questões, tudo tem sido esfregado na minha cara level hard. Não queria evoluir? Então TOMA!

Antes de dormir penso nas contas pra pagar, nas coisas que não consigo falar, tensões do dia, estou rígida, perfurada e um pouco atazanada.

As críticas me irritam profundamente, qualquer questionamento. Porra, faço a porra toda das coisas que precisam ser feitas. Se tem jantar eu pensei, listei, comprei, paguei e fiz. Mais ou menos assim. Estou saturada. Estou atarefada, estou muito atarefada, e ainda que eu de meu quase melhor, ainda é pouco perto do que se há ainda pra fazer. Dá desespero.

Por outro lado, tá escancarado pra mim o quanto a convivência comigo é difícil. A minha chatice lateja, minha solidão grita esse desafio. Eu sou tóxica, eu demando muito, eu irrito, eu sou uma bebezona, eu sou uma plantinha, tudo é sobre ela.

mini-ivy, maxi-ego ° 24/02/2014

minha mãe deixou na portaria uma sacola com vídeos da minha infância, que ela havia passado de vhs para dvd:  meu aniversário de seis anos, e minha formatura do prézinho, 1991, grande ano pra mini ivy, portanto.

vi primeiro o do meu aniversário, meus olhos marejaram, eu via aquele vestidinho azul, a meia calça branca, a tiara com um laço, meu cabelo, meu nariz, minha voz, meu jeito, ansiedade, medo e raiva.

daquele dia, não me lembro de nada, mas me lembro de tudo. especialmente do vídeo, vi um milhão de vezes, mas há tanto tempo…

mini ivy gritava, com as mãozinhas na cintura, mandando o palhaço ir trabalhar, batia nos amiguinhos e simplesmente virava as costas e deixava os outros falando sozinhos, ou tinha as costas curvadas de quem duvida de si mesmo, coisas que se repetem até hoje. é mais ou menos assim que a ivy “adulta” lida com as coisas. se é que dá pra chamar isso de lidar.

observar aquela menininha com a minha cara, fazendo as coisas que eu faço, foi tão constrangedor, que eu chorei. chorei de saudade, ao ver minhas avós, minhas tias, meus amiguinhos, mas eu chorei mesmo de constrangimento. de ser aquela mesma pirralha mandona diversas vezes e encarar aquilo de frente, meio que em terceira pessoa, foi um choque. ficou claro a quem as neuroses e indulgências serviam.

e eu achava que era uma alma atormentada e mal compreendida. talvez eu seja, mas não há justificativa pra ser uma chata, ou egoísta, ou se impor sobre os outros. isso é só o meu ego.

hora de deixar todo mundo brincar, abaixar o tom de voz afetado e ser o líder calmo, assertivo e não confrontador que minha vida precisa.

sair de dentro de mim, deixar de ser escrava do meu ego. é preciso olhar pra fora, ouvir os outros, estar presente, dar amor nas ações.

ouvir com atenção e sem julgamento, é amor. uma boa aula, é amor. me dirigir aos outros com respeito e um sorriso, é amor.

mas antes do amor, vem o amor próprio. quem se ama muito, não precisa se afirmar, ou se sobrepor e é aí que sai o ego, que deixa você em uma ilha, e entram as pontes que favorecem à apróximação, à atenção plena e naturalmente as coisas mudam, mas porque eu mudei o modo como enxergo as coisas.

Sua mãe

Toda vez que eu me sinto péssima, eu tenho o costume de falar “quero a minha mãe ” mesmo que por dentro eu ria que eu jamais poderia querer a minha mãe, na verdade.

Hoje ficou claro, enquanto subia pelo elevador após encontrar uma amiga e seu marido. Eu pensei “quero minha mãe ” e me perguntei “o que eu quero da minha mãe?” Acolhimento. Asseio. Eu estava um trapo, descabelada, mal vestida e sem escovar o dente. Mamãe jamais deixaria isso acontecer. Também to precisando de um colinho, de carinho e tratamento amoroso encorajador.

Quando me falta colo, empurrão sincerão empoderador, higiene pessoal, limpeza na casa, organização na vida, realização pessoal, é quando eu tenho que ser a minha própria mãe.

Peguei a ivy criança , conversei com ela e disse que agora eu cuidaria dela, que eu seria a mãe dela e que tudo ia dar certo. Nos abraçamos, beijei muito aquela cabecinha com o mesmo carinho que beijo meu filho, de fato.